eXPANDINDO HORIZONTES
Por Victor Varcelly
Para criar ambientes inclusivos e seguros na sala de aula, se faz necessário conferir autonomia aos alunos e às alunas, ou seja: torná-los parte dessa construção coletiva. Na minha visão, criações colaborativas são fatores estruturantes da inclusão.
A autonomia apresenta-se como uma das principais ferramentas para atuação do futuro cidadão e da futura cidadã na sociedade democrática que defendemos. Construir espaços seguros nos momentos educacionais, onde o erro seja possível e passível de questionamento e posterior correção, permite trabalhar junto aos discentes as divergências de posicionamentos - tão comuns nos espaços públicos da sociedade.
No entanto, é importantíssimo evitar que agressões sejam reproduzidas em sala, ensejando comportamentos antiéticos ou crimes como racismo e lgbtfobia. Novamente, surge a importância de que os assuntos de diversidade sejam pautados previamente pela potência e não pela violência, reforçando a importância de matrizes curriculares e dinâmicas de aulas inclusivas.
Nos cabe também desafiar os nossos próprios paradigmas enquanto indivíduos inseridos nessa sociedade, nesse tempo histórico e nesse lugar geográfico. Para isso: começamos reconhecendo e analisando os impactos das nossas trajetórias profissionais e pessoais nas diversas didáticas que adotamos todos os dias. Passamos pela desconstrução e reconstrução de valores e crenças. E completamos o caminho acessando fontes de conhecimento plurais, para além das referências acadêmicas, políticas e mercadológicas.
Eu entendo que, na Educação, é fundamental expandir nossos horizontes didáticos. E uma das formas mais interessantes de realizar isso é acessar outras áreas de ensino. Espaços como: teatros, salas de dança ou vivências em movimentos sociais, faculdades e mesmo empresas podem possuir potencial educacional.
O filme Emicida: Amarelo - É tudo para Ontem é um ótimo exemplo da aplicação educacional de um produto midiático, porque apresenta, dentre outros elementos, uma linha histórica do movimento negro brasileiro associada a luta pelo direito à cidade, à cultura e à cidadania. Para além disso, dialogar com profissionais de outros campos e realizar pesquisas interdisciplinares possibilitam o acesso a outras lógicas de pensamento científico e político, que tornam a inovação em aula um processo mais fluido.